Bom senso é igual braço: tem gente que não tem

Semana passada a Gabi postou o vídeo de uma ação do Guaraná Antarctica que aproveitava as tradicionais pegadinhas de Primeiro de Abril pra apoiar uma causa bacana baseada na lenda que juntando 1000 anéis de latinhas você podia trocar por uma cadeira de rodas.

Pra variar, apareceu alguém pra dizer que era verdade e que fulaninha não sei de onde já juntou esse tanto de anéis – e desenvolveu uma gastrite fodida – e que era um absurdos as pessoas duvidarem disso.

Bom senso é item raro nos dias de hoje, afinal pra desmascarar essas lendas basta raciocinar um pouco. Tomemos como exemplo a história da gangue de palhaços sequestradores. Diz a lenda que o bando de palhaços estacionava a Kombi perto de um local com grande fluxo de crianças, atraia os pestinhas até lá com guloseimas e os usava para os mais diferentes propósitos: pedir resgate, vender orgãos, ou até mesmo pra montar um grupo de covers mirins do É o Tchan pra aparecer no Raul Gil. Enfim, existem várias possibilidades.

Agora pensa na mão de obra que isso daria: pra começar, você precisaria comprar uma Kombi (e convenhamos ninguém mais anda de Kombi por aí). Se você precisasse eventualmente fugir da polícia, eles te alcançariam a pé. Depois você teria que comprar algumas roupas de palhaço. Ninguém parou pra pensar que palhaços não andam assim o dia inteiro? Quantos palhaços você já viu no banco, esguichando água no gerente? Ser um fora da lei implica em não chamar a atenção das pessoas e dificilmente você conseguirá isso calçando um sapato 56 e um nariz vermelho.

Essa lógica vale também pro cara que tinha HIV e pra se vingar do mundo colocava seringas contaminadas nas poltronas do cinema. Comprar uma quantidade industrial de seringas, tirar sangue em períodos regulares (pra não morrer de uma vez), guardar diversas seringas contaminadas, pagar DEZOITO REAIS em cada sessão de cinema, rasgar uma poltrona por sessão e finalmente espetar o negócio com a agulha pra cima. Tudo isso, partindo do pressuposto que ele só pegaria sessões lotadas – afinal, se o cara fosse burro (e se ele fez todo esse processo, ele realmente era), era grande a chance de ele aplicar esse plano em uma sala do Gemini, passando Titanic em plano ano de 2003 na sessão das 15hrs numa segunda feira.

Como diria o Christian Bale:

THINK FOR ONE FUCKIN' SECOND

Repassem esse post. A cada 100 shares, a AOL vai dar US$ 245,00 pra todos vocês.

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Na Natureza Selvagem – Parte V

Quer entender a bagaça toda? Então leia:
Na Natureza Selvagem – Parte I
Na Natureza Selvagem – Parte II
Na Natureza Selvagem – Parte III
Na Natureza Selvagem – Parte IV

***

Eu poderia tecer relatos a respeito da nossa contínua escalada até o cume do Alcantilado, mas não sairia muito de: anda, anda, anda, sente cãimbra, vê mato, anda, anda, vê mais mato, sobe um morrinho, imagina que vai torcer o tornozelo e ter que descer toda aquela merda em um pé só, anda mais um pouco, vê uma cachoeira (e desiste de entrar na água por conta dos 3º que faziam por ali e por aí vai).

I am Eric Franco and I endorse this waterfall

.

Como se já não fosse ruim o bastante ter que passar por isso. A cada 200 metros encontrávamos plaquinhas incentivando essa estupidez: “ânimo, estamos chegando”, “só faltando 200m”, “sério mesmo que vocês vieram até aqui?!?!”. Fiquei tentado a roubar uma delas e colocar lá no começo da trilha pra foder com a vida dos outros, mas acabei não o fazendo.

A plaquinha não estava mentindo e depois de alguns minutos estávamos no topo da bagaça! Aleluia! Finalmente! Chegamos! Vamos embora? Sim! Porque isso é tudo o que você tem pra fazer depois subir aquela porra toda. Acho que eles deviam colocar uns pufes no cume da montanha, mais uns potinhos de amendoim pra que você pelo menos curtir um pouco a passagem por ali, pois do contrário só resto apreciar a vista por uns 5 minutos e sair fora.

Obviamente não aconteceu nada de interessante na volta (essas coisas só acontecem quando você está se fodendo) e voltamos para o conforto da nossa pousada, pra tomar um banho e 412 dorflex, comer e descansar pro dia seguinte. O jantar era tão bom quanto o café da manhã monstruoso que havíamos comido, no entanto com uma peculiaridade que ainda não tinha sido percebida por nós: a horrenda seleção musical do lugar, que ia de Adriana Calcanhoto até My Heart Will Go On, feat. flautistas bolivianos. Bom, a julgar pelos dvds disponíveis na noite anterior, já era de se esperar que o gosto do local pra entretenimento não fosse dos melhores.

No entanto, já ficava feliz pelo fato do proprietário da pousada não ter se revelado um serial killer na noite anterior.

Lembram que eu disse que a pior bobagem que você pode fazer é sair desembestado pra aproveitar cada dia da viagem como se fosse o último instante da sua vida? Pois bem, depois de dormimos o sono dos justos, e ao acordar estávamos com dores em músculos que a medicina ainda nem descobriu ainda. Naquela da manhã todas as pessoas da pousada iriam fazer um tour pela região e obviamente nós acabamos dando um bolo na parada porque estávamos quebrados.

Demos preferência ao bucho e fomos almoçar em um lugar bastante aprazível, denomidado O FILHO DA TRUTA (deve ter alguma coisa na água local que faz com que eles dêem nomes tão inspirados para os seus estabelecimentos comerciais – isso porque eu nem mencionei que o nome do lugar poderia ter sido TRUTA QUE PARIU).

Daí em diante aconteceram mais algumas coisas pontuais que eu lembro vagamente, como o pneu furado do carro que foi trocado por um mecânico surdo que tinha uma horta atrás da oficina (lugar do qual a Gabi quase roubou ums pézinhos de manjeiricão ou tentativa de achar qualquer lugar com acesso a internet pra ver o resultado de um jogo do São Paulo (dificultado por conta da conexão potente do local). Não lembro de quase nada além disso, já que essa viagem foi feita em 2008 e eu não tinha escrito o final. Na verdade, a única coisa que não tinha como esquecer mesmo era a desgraça do esquilo gigante.

Vocês acharam que era só invenção minha, né? Mas porque eu inventaria uma coisa dessas sem o menor propósito? Na volta pra casa, passamos por uma cidadezinha que eu não vou lembrar o nome agora e decidimos parar por algum motivo num posto de conveniência/galeria/whatever pra fazer alguma coisa. Ao dar a volta na bagaça somos supreendidos por isso:

Gabi fazendo amigos

Depois disso, creio que não tenho mais nada a dizer. Até mais ver.

Na Natureza Selvagem – Parte IV

Quer entender a bagaça toda? Então leia:
Na Natureza Selvagem – Parte I
Na Natureza Selvagem – Parte II
Na Natureza Selvagem – Parte III

***

Pegamos o carro e nos embrenhamos na mata, (não sem antes nos perdermos e pedimosr informações no melhor estabelecimento do mundo). Este nobre título não foi conquistado pela gentileza de seus funcionários ou pelas instalações aconchegantes, e sim por ser o único lugar do mundo onde você consegue comprar um Ruffles Churrasco e duas Cocas pagando menos de R$5,00.

E como nenhuma viagem é completa sem um personagem folclórico, foi ali mesmo que conhecemos aquele que iremos chamar aqui de “O Sertanista”. Todos vocês já conheceram um tipo desses: portando uma cervejinha na mão direita, ostentando uma bela pança mantida por anos e anos de chuleta e maminha, trajando uma camisa do Bob Marley e contando histórias que até Deus duvidaria, o Sertanista alegrou um pouco mais a nossa jornada. Quando paramos pra pedir informação, o pobre balconista do lugar com muita presteza nos disse que bastava entrar na próxima bifurcação á esquerda que chegaríamos ao nosso destino. Eis que o Sertanista irrompe aos brados e começa uma discussão:

– Que nada! Vire a primeira esquerda, direita, depois do terceiro semáforo vocês chegarão!
– Mas estamos no meio do mato! Aqui nem tem um semáforo!
– Eu conheço tudo aqui, meu jovem! São mais de 50km.
– Mas a gente consegue ver a cachoeira daqui!
– Conheço tudo por aqui! Eu sou um sertanista!

Decidimos aceitar a sugestão do menos maluco e chegamos em 5 minutos.

He shot the sheriff

Ali estava ele: o Vale do Alcantilado, o lugar que eu jamais esqueceria.

alcantilado (adjetivo)
al.can.ti.la.do

1. talhado a pique.
2. escarpado.
3. íngreme.
4. inacessível.

Com a falta de um computador com acesso a internet -ou até mesmo um dicionário – na mão, a revelação óbvia se deu da pior maneira possível. Aquela desgraça em forma de mineral consistia de um conjunto de 9 cachoeiras com nomes bastante criativos como Cachoeirinha (porque parecia uma piscina infantil), Cachoeira do Açude (porque havia um… hmmm… açude) ou ainda o Poço de Areia, que a esta altura do campeonato vocês já deviam desconfiar de como era.

Ainda é inexplicável pra mim o fato de aceitarmos fazer essa idiotice, uma vez que qualquer pessoa jamais seguiria em frente ao dar de cara com um paredão de mato, pedras e quedas d’água maiores do que qualquer brinquedo do Playcenter – exceção feita a portugueses malucos que navegaram durante 3 meses em precárias caravelas e não viam como alternativa dar meia volta e aguentar mais 3 meses de viagem à toa.

Já dizia o ditado: quem está na cachoeira é pra se molhar. Decidimos então ir até o fim e desbravar o vale, abraçar árvores, molhar os pés na água, subir 500km de mato. Essas coisas que vocês já devem estar acostumados

Olhando agora, aquela porra toda me fez lembrar aqueles episódios intermináveis de Cavaleiros do Zodíaco, onde eles tinham que correr e correr e correr pra salvar a deusa Atena de qualquer merda onde ela estivesse metida dessa vez. Tal e qual o desenho que não faz mais sentido (agora que os signos mudaram e a porra toda), os primeiros obstáculos eram risíveis. Uma piscina infantil aqui, uma quedinha d’água que mais parecia uma bica ali e tudo parecia tranquilo. Todas eram em locais relativamente planos, uma perto da outra e por aí vai.

Lá pela quarta cachoeira, a expressão “Toto, we’re not in Kansas anymore” começava a fazer sentido. Estávamos no meio do caminho e não sei o que seria mais imbecil: seguir em frente ou voltar dali mesmo tornando aquela caminhada já feita, inútil. Seguimos em frente, subindo e subindo. Já conseguíamos ver bois e vacas pastando ao longe (exceto por um que se desgarrou e decidiu começar uma grupo de pagode)

Mas que BELO boi (got it?)

Pior do que tudo isso, somente essa série de posts que não acaba nunca. Em breve, a 5ª e última parte dessa saga, que vai ser enorme simplesmente porque vou ter que socar os outros 3 dias de viagem no mesmo texto.

– Essa história tem um fim mesmo?
– 3 textos pra subir um morrinho?
– De onde caralhos você tirou essa idiotice de esquilo gigante?

Na Natureza Selvagem – Parte III

Quer entender a bagaça toda? Então leia:
Na Natureza Selvagem – Parte I
Na Natureza Selvagem – Parte II

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O grande erro de todo mundo que sai em viagem, é achar necessário aproveitar cada segundo como se fosse o último dia da humanidade na Terra. Basicamente foi isso o que aconteceu e mais pra frente vocês perceberão porque isso é uma besteira e vocês não devem fazer igual. Levantamos cedo e fomos tomar o café da manhã. Como eu sempre acordo tarde e/ou atrasado, não tenho o costume de tomar café, mas se eu tivesse um daqueles todos os dias, iria dormir todo o dia as 8 pra não correr o risco de perder a hora no dia seguinte. Frutas, pão de queijo, pão francês, pão de forma, pão de geléia, pão de manteiga, pão de bolo, pão de leite, pão de suco de laranja…. Tudo isso com direito a essa vista:

Pensei em ficar ali esperando pela próxima refeição, mas temi ser repreendido pela Gabi, pelo dono da pousada e pelos outros hóspedes que temeriam ficar sem comida nos próximos dias e se tivesse que descer aquela maldita estradinha, teria que ir rolando e isso não seria uma boa idéia dada a quantidade de pedras e buracos.

A comunhão com a natureza nos esperava, então vesti a roupa mais esportiva que eu tinha e estava pronto para um dia inteiro de cachoeiras, hippies e escaladas, esse monte de coisa besta que não existe na cidade grande. Era hora de deixar toda a preguiça e o sedentarismo pra trás e desafiar a natureza de uma maneira que eu nunca tinha feito. A disposição era tanta que decidimos descer aquele terrível arremedo de estrada que ligava a pousada a “civilização” a pé.

No caminho encontramos Vincent, o labrador que saiu da ilha de Lost pra perseguir a gente metade do caminho, uma pequena trilha incrustada naquele lugar ermo que certamente ligava o caminho até a terra dos duendes comedores de cérebros e um cara com medo de ir até um Pronto Socorro porque as pessoas iam lhe dar poções amaldiçoadas também conhecidas como antibióticos. Gabi ficou com vontade de voltar até ele e dizer que os antibióticos foram uma das maiores invenções recentes da humanidade, mas eu a arrastei pra longe daquele pobre diabo que ia morrer porque não queria tomar um xarope com gostinho de morango. Espero que esse cara nunca precise de uma Benzetacil.

Nossa meta era o Vale do Alcantilado, um conjunto de 9 cachoeiras que ficava um tanto longe de estávamos, o que permitiu que ainda andássemos pelas redondezas e encontrássemos lugares pitorescos como o POÇÃO DA MAROMBA (certamente um spinoff mal-sucedido das primeiras temporadas de Malhação) ou a lojinha local, PUT’S GRILO (que a julgar pelo seu mascote vendia folhas de seda, colírios, isqueiros, narguilés e toneladas de Ruffles), bem como seus habitantes igualmente únicos, como mulheres sem sutiã e crianças peladas correndo a esmo.

Decidimos ir logo pra onde a gente tinha que ir, já que a idéia de ficar perdido no meio do mato de madrugada e ter que sobreviver comendo vermes que habitavam pedaços podres de madeira não estava no meu top 5 maneiras de aproveitar um feriado.

Se bem que passar o fim de semana como um Cavaleiro do Zodíaco também não era o plano.

Na Natureza Selvagem – Parte II

Confira a primeira parte da história

Se vocês ainda estão aqui acompanhando, vão ficar particularmente putos com o suspense da chegada da serra, porque afinal o que nos esperava era mesmo a serra. Eu só precisava um gancho pra quebrar aquela parte e não tinha nada melhor pra fazer isso. Podia bem ser um esquilo gigante, mas eu não encontrei nenhum no caminho.

Pois bem, a serra: um trecho particularmente alegre para alguém fatalista como eu. Eu sempre acho que alguma coisa vai dar muito errado em situações diversas. Se estiver numa roda gigante, um parafuso vai soltar e aquela merda vai sair rolando pelas imediações trazendo pânico, tumulto e um espetáculo visual bastante interessante – que não será apreciado em sua totalidade por estar causando os dois primeiros fatores que eu mencionei. Isso serve pras mais diversas situações: alta velocidade, lugares muito altos ou qualquer outro tipo de atividade onde basicamente estamos desafiando as leis de Deus (tipo voar, se pendurar em coisas, andar numa velocidade acima de 18km/h). Então, se eu vou passar de carro numa estradinha minúscula e toda esburacada do lado de uma ribanceira, é óbvio que eu vou cair e que pedaços do meu corpo vão ser encontrados 15 metros além de onde o carro caiu, além de virar refeição pra várias e várias gerações de formigas, caso algum socorrista relapso não sinta que o corpo que eles acabaram de juntar os pedaços não tem um braço.

Mas eu disfarço bem.

E assim, prosseguimos, admirando as pitorescas placas de sinalização, como a que informava aclive acentuado – deveria parecer que o carro estava subindo, mas parecia que ele estava caindo – ou outra que dizia reduza a velocidade, que graças ao contorcionismo para desviar dos inúmeros buracos e a “alta velocidade” que esse tipo de manobra impõe, poderia ser trocada por uma com os dizeres estacione e empurre logo de uma vez.

Depois de todos esses percalços, finalmente chegamos a pous… não, não chegamos. Depois de tudo isso ainda descobrimos que a pousada onde ficaríamos ficava no alto de um morro onde existia um ninho de águias que bicou nossos fígados até a morte num lugar inacessível pra quem não fosse uma águia, o Homem de Ferro ou então o feliz proprietário de um veículo 4×4. Márcio, o gentil proprietário da pousada desceu para nos buscar e começou nossa jornada morro acima que em muito se assemelhava a estar montado num touro mecânico, o que era uma beleza, afinal depois de 7 horas de estrada, o que a gente mais queria era ficar chacoalhando de um lado pro outro.

Quando finalmente chegamos lá em cima, ele nos explicou os horários das refeições, nos mostrou nossas acomodações e disse que havia uma pequena galeria de DVDs onde havia o melhor do cinema que os ambulantes locais conseguiram piratear. Foi a chance de ver todos aqueles filmes que sempre pensamos em pegar na locadora, mas que não tivemos vontade de dar um tostão furado de tão ruim que deviam ser. Uma dessas pérolas é Temos Vagas, filme com Luke Wilson e Kate Beckinsale. Segundo o Adoro Cinema a sinopse é a seguinte:

“David e Amy estão em meio a uma viagem, numa estrada deserta e escura, até que são obrigados a passar a noite num motel de beira de estrada. O gerente do local é um homem estranho, mas aparentemente inofensivo. Após se alojarem no quarto, David e Amy encontram uma coleção de filmes caseiros, que têm muito sangue e são bem realistas. Até que percebem que estão alojados no mesmo quarto onde os vídeos foram filmados e que são as próximas vítimas do cineasta.”

Acho que nunca tivemos uma idéia tão genial em anos. Eu pensei em arremessar o DVD pela janela, mas acho que teríamos que reembolsar o proprietário serial killer (não parei pra pensar que se eu estivesse morto não ia precisar reembolsar ninguém, e mesmo que tivesse não sentiria falta dessa grana). No entanto nada disso aconteceu e se eu soubesse o que estaria por vir, talvez tivesse convencido o cara a partir pra carreira do crime.

O que estava por vir?

– Um café da manhã delicioso?
– Uma dor muscular sem precedentes?
– Um esquilo gigante?

Um esquilo gigante, é?

NÃO PERDAM

Na Natureza Selvagem – Parte I

Começo de ano é sempre aquela beleza: dias de ócio sem fim, onde as pessoas tem milhares de idéias sem futuro, como montar um blog mesmo tendo desaprendido a escrever mais do que 140 caracteres de uma vez. Quando elas não tem essas idéias, elas contam como passaram o fim de ano, as viagens, as pessoas, as paisagens e tudo mais. Vamos fingir por um momento que a história que vou contar nos próximos posts aconteceu nesse fim de ano e não durante uma folga na semana de Carnaval em 2008, ok? O texto já estava quase todo escrito – 4 dias sem videogames e memes idiotas criados pelo Júlio no Twitter fazem um bem danado pra criatividade – e seria um desperdício não postá-lo.

Na verdade não seria, mas quem manda aqui sou eu.
ABS, EF.

Existe alguma explicação cósmica envolvendo viagens marcadas, a necessidade de sair mais cedo do trabalho e a incompetência do ser humano. A vontade de ir embora aliada a esse soma de variáveis só poderia resultar em uma coisa: merda.

Ignorando completamente esse prognóstico, parti voando para casa, onde a Gabi já me esperava com as malas prontas – e como eu viria a descobrir mais tarde, com somente uma calça dentro delas – e então partiríamos rumo ao nosso desafio mais árduo: 190km de congestionamento. Ok, talvez esse não fosse esse nosso principal objetivo, mas não foi menos árduo por conta disso.

O desafio principal era sobreviver a uma experiência into the wild. Não como Chris McCandless, o personagem principal de Na Natureza Selvagem. O homem vem se superando a cada geração, descobrindo maravilhas como o fogo, a roda, a eletricidade, os aplicativos com sons de peido pra iPhone, o Pornotube, o miojo, entre diversas outras coisas. Entre esses outros estão as câmeras digitais e a internet, que fazem com que você conheça milhares de lugares sem estar lá – logo, não era com muito entusiasmo que eu estava trocando essas maravilhosas engenhocas por uma comunhão total e irrestrita com a natureza. Por isso, vamos por partes.

Andando por essas estradas você cogita achar o Maluf bacana

É público e notório que a pior parte de uma viagem é o trajeto até o seu destino final. Ficar seis horas seguidas sentado num carro não é algo que seu médico recomendaria como algo terapêutico, ainda mais se você saiu correndo e começou a passar fome no meio da estrada. A situação era tão crítica que eu já estava alucinando e vendo Anthony Bourdain fazendo uma matéria sobre restaurantes de beira de estrada para o seu programa dizendo algo como “um viajante faminto ofereceria favores sexuais em troca de um galeto”. Ainda bem que 500 metros adiante avistamos um restaurante e as pessoas que viajavam felizes no feriado foram poupadas da visão das minhas coxas brancas no acostamento da Rodovia Carvalho Pinto.

Devidamente alimentados, seguimos viagem naquele esquemão bonito de sempre: mato, lua, mato, estrelas, mendigos andando no acostamento e mais mato até chegarmos ao começo da serra, onde sabíamos exatamente o que estava nos esperando.

O que estaria esperando por eles no começo da serra?

– A serra?
– A polícia rodoviária?
– Um esquilo gigante?

Não percam os próximos capítulos

I wish I was special

A maioria das pessoas que posta alguma coisa através das internets por aí gosta de receber comentários, likes, shares, retweets, jóinhas, favs e o que mais a grande rede mundial de computadores tem a oferecer para jogar um fermento no ego virtual de cada um, mas acredito que a maioria concorda que nem todos os comentários são necessariamente bem-vindos. Estou falando daquele pessoal que não tem muito a dizer, mas que não consegue conter a necessidade absurda de se fazer presente. Eis alguns exemplos desse mal que afeta tantos brasileiros:

BELAS CORES
Já começa errado: que comentários podem ser feitos a respeito de uma foto? Geralmente é aquela coisa de “Onde você tirou essa?” “O que diabos é isso?” “Esse é aquele cara em quem eu vomitei na festa da formatura mês passado?”. As duas primeiras podem ser resolvidas com legendas e/ou geolocalização e a terceira era melhor nem ter perguntado, mas o que é de cair o cu da bunda de verdade é quando nego se mete a fazer uma análise conceitual de uma foto que só saiu boa porque você espirrou e bateu o dedo no botão na hora certa. E quando ele não tem nada pra dizer ele vem com essa merda desse “belas cores”. Meu amigo: existem umas 20 cores no mundo e elas estavam todas lá quando eu tirei a foto, eu não precisei montar nada.

MUITO BOM
Se tem gente que peca pelo excesso, outros pecam pelo minimalismo. Resumir todo o seu comentário a um elogio genérico é a mesma coisa que dizer “que nome… diferente!” quando sua prima apresenta o namorado chamado Motocicleiton. Era melhor que você se retirasse da sala pra mijar de tanto rir ou simplesmente seguir sua vida sem ligar pra criatividade da mãe do pobre coitado. Parece que você simplesmente quis comentar ali pra deixar aquele link maroto pro seu blog sobre piadas engraçadas que te mandaram por email.


LINDO REGISTRO
A defesa encerra seu pronunciamento.

Toda vez que sentir esse comichão de comentar qualquer bobagem que não vai agregar nada na vida de ninguém, lembrem-se de Mia Wallace:

That’s when you know you found somebody really special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably share silence.

Senhores, contemplem!

Só reparei agora que a roupa do Dr. Weird forma um W. Mas as tetinhas continuam sendo desnecessárias

Pois é, acho que vou voltar a escrever por aí (neste caso, por aqui). Ou pode ser que meu cérebro não tenha assimilado que não vou ter todo esse tempo livre pra sempre pra conseguir arrumar meus arquivos mp3, chegar ao lv. 25 no Call of Duty 4 e ainda voltar a escrever com uma certa frequência pra sempre.

Em todo caso, fiquem ligadinhos.