Na Natureza Selvagem – Parte IV

Quer entender a bagaça toda? Então leia:
Na Natureza Selvagem – Parte I
Na Natureza Selvagem – Parte II
Na Natureza Selvagem – Parte III

***

Pegamos o carro e nos embrenhamos na mata, (não sem antes nos perdermos e pedimosr informações no melhor estabelecimento do mundo). Este nobre título não foi conquistado pela gentileza de seus funcionários ou pelas instalações aconchegantes, e sim por ser o único lugar do mundo onde você consegue comprar um Ruffles Churrasco e duas Cocas pagando menos de R$5,00.

E como nenhuma viagem é completa sem um personagem folclórico, foi ali mesmo que conhecemos aquele que iremos chamar aqui de “O Sertanista”. Todos vocês já conheceram um tipo desses: portando uma cervejinha na mão direita, ostentando uma bela pança mantida por anos e anos de chuleta e maminha, trajando uma camisa do Bob Marley e contando histórias que até Deus duvidaria, o Sertanista alegrou um pouco mais a nossa jornada. Quando paramos pra pedir informação, o pobre balconista do lugar com muita presteza nos disse que bastava entrar na próxima bifurcação á esquerda que chegaríamos ao nosso destino. Eis que o Sertanista irrompe aos brados e começa uma discussão:

– Que nada! Vire a primeira esquerda, direita, depois do terceiro semáforo vocês chegarão!
– Mas estamos no meio do mato! Aqui nem tem um semáforo!
– Eu conheço tudo aqui, meu jovem! São mais de 50km.
– Mas a gente consegue ver a cachoeira daqui!
– Conheço tudo por aqui! Eu sou um sertanista!

Decidimos aceitar a sugestão do menos maluco e chegamos em 5 minutos.

He shot the sheriff

Ali estava ele: o Vale do Alcantilado, o lugar que eu jamais esqueceria.

alcantilado (adjetivo)
al.can.ti.la.do

1. talhado a pique.
2. escarpado.
3. íngreme.
4. inacessível.

Com a falta de um computador com acesso a internet -ou até mesmo um dicionário – na mão, a revelação óbvia se deu da pior maneira possível. Aquela desgraça em forma de mineral consistia de um conjunto de 9 cachoeiras com nomes bastante criativos como Cachoeirinha (porque parecia uma piscina infantil), Cachoeira do Açude (porque havia um… hmmm… açude) ou ainda o Poço de Areia, que a esta altura do campeonato vocês já deviam desconfiar de como era.

Ainda é inexplicável pra mim o fato de aceitarmos fazer essa idiotice, uma vez que qualquer pessoa jamais seguiria em frente ao dar de cara com um paredão de mato, pedras e quedas d’água maiores do que qualquer brinquedo do Playcenter – exceção feita a portugueses malucos que navegaram durante 3 meses em precárias caravelas e não viam como alternativa dar meia volta e aguentar mais 3 meses de viagem à toa.

Já dizia o ditado: quem está na cachoeira é pra se molhar. Decidimos então ir até o fim e desbravar o vale, abraçar árvores, molhar os pés na água, subir 500km de mato. Essas coisas que vocês já devem estar acostumados

Olhando agora, aquela porra toda me fez lembrar aqueles episódios intermináveis de Cavaleiros do Zodíaco, onde eles tinham que correr e correr e correr pra salvar a deusa Atena de qualquer merda onde ela estivesse metida dessa vez. Tal e qual o desenho que não faz mais sentido (agora que os signos mudaram e a porra toda), os primeiros obstáculos eram risíveis. Uma piscina infantil aqui, uma quedinha d’água que mais parecia uma bica ali e tudo parecia tranquilo. Todas eram em locais relativamente planos, uma perto da outra e por aí vai.

Lá pela quarta cachoeira, a expressão “Toto, we’re not in Kansas anymore” começava a fazer sentido. Estávamos no meio do caminho e não sei o que seria mais imbecil: seguir em frente ou voltar dali mesmo tornando aquela caminhada já feita, inútil. Seguimos em frente, subindo e subindo. Já conseguíamos ver bois e vacas pastando ao longe (exceto por um que se desgarrou e decidiu começar uma grupo de pagode)

Mas que BELO boi (got it?)

Pior do que tudo isso, somente essa série de posts que não acaba nunca. Em breve, a 5ª e última parte dessa saga, que vai ser enorme simplesmente porque vou ter que socar os outros 3 dias de viagem no mesmo texto.

– Essa história tem um fim mesmo?
– 3 textos pra subir um morrinho?
– De onde caralhos você tirou essa idiotice de esquilo gigante?


2 comments

  1. Pingback: Na Natureza Selvagem – Parte V | Saiam do meu gramado


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