Na Natureza Selvagem – Parte II

Confira a primeira parte da história

Se vocês ainda estão aqui acompanhando, vão ficar particularmente putos com o suspense da chegada da serra, porque afinal o que nos esperava era mesmo a serra. Eu só precisava um gancho pra quebrar aquela parte e não tinha nada melhor pra fazer isso. Podia bem ser um esquilo gigante, mas eu não encontrei nenhum no caminho.

Pois bem, a serra: um trecho particularmente alegre para alguém fatalista como eu. Eu sempre acho que alguma coisa vai dar muito errado em situações diversas. Se estiver numa roda gigante, um parafuso vai soltar e aquela merda vai sair rolando pelas imediações trazendo pânico, tumulto e um espetáculo visual bastante interessante – que não será apreciado em sua totalidade por estar causando os dois primeiros fatores que eu mencionei. Isso serve pras mais diversas situações: alta velocidade, lugares muito altos ou qualquer outro tipo de atividade onde basicamente estamos desafiando as leis de Deus (tipo voar, se pendurar em coisas, andar numa velocidade acima de 18km/h). Então, se eu vou passar de carro numa estradinha minúscula e toda esburacada do lado de uma ribanceira, é óbvio que eu vou cair e que pedaços do meu corpo vão ser encontrados 15 metros além de onde o carro caiu, além de virar refeição pra várias e várias gerações de formigas, caso algum socorrista relapso não sinta que o corpo que eles acabaram de juntar os pedaços não tem um braço.

Mas eu disfarço bem.

E assim, prosseguimos, admirando as pitorescas placas de sinalização, como a que informava aclive acentuado – deveria parecer que o carro estava subindo, mas parecia que ele estava caindo – ou outra que dizia reduza a velocidade, que graças ao contorcionismo para desviar dos inúmeros buracos e a “alta velocidade” que esse tipo de manobra impõe, poderia ser trocada por uma com os dizeres estacione e empurre logo de uma vez.

Depois de todos esses percalços, finalmente chegamos a pous… não, não chegamos. Depois de tudo isso ainda descobrimos que a pousada onde ficaríamos ficava no alto de um morro onde existia um ninho de águias que bicou nossos fígados até a morte num lugar inacessível pra quem não fosse uma águia, o Homem de Ferro ou então o feliz proprietário de um veículo 4×4. Márcio, o gentil proprietário da pousada desceu para nos buscar e começou nossa jornada morro acima que em muito se assemelhava a estar montado num touro mecânico, o que era uma beleza, afinal depois de 7 horas de estrada, o que a gente mais queria era ficar chacoalhando de um lado pro outro.

Quando finalmente chegamos lá em cima, ele nos explicou os horários das refeições, nos mostrou nossas acomodações e disse que havia uma pequena galeria de DVDs onde havia o melhor do cinema que os ambulantes locais conseguiram piratear. Foi a chance de ver todos aqueles filmes que sempre pensamos em pegar na locadora, mas que não tivemos vontade de dar um tostão furado de tão ruim que deviam ser. Uma dessas pérolas é Temos Vagas, filme com Luke Wilson e Kate Beckinsale. Segundo o Adoro Cinema a sinopse é a seguinte:

“David e Amy estão em meio a uma viagem, numa estrada deserta e escura, até que são obrigados a passar a noite num motel de beira de estrada. O gerente do local é um homem estranho, mas aparentemente inofensivo. Após se alojarem no quarto, David e Amy encontram uma coleção de filmes caseiros, que têm muito sangue e são bem realistas. Até que percebem que estão alojados no mesmo quarto onde os vídeos foram filmados e que são as próximas vítimas do cineasta.”

Acho que nunca tivemos uma idéia tão genial em anos. Eu pensei em arremessar o DVD pela janela, mas acho que teríamos que reembolsar o proprietário serial killer (não parei pra pensar que se eu estivesse morto não ia precisar reembolsar ninguém, e mesmo que tivesse não sentiria falta dessa grana). No entanto nada disso aconteceu e se eu soubesse o que estaria por vir, talvez tivesse convencido o cara a partir pra carreira do crime.

O que estava por vir?

– Um café da manhã delicioso?
– Uma dor muscular sem precedentes?
– Um esquilo gigante?

Um esquilo gigante, é?

NÃO PERDAM


8 comments

  1. Essa é aquela viagem que no final apareceu um bocetão do espaço e acabou com tudo, bocetão esse que será trocado por mísseis na versão cinematográfica da história dirigida pelo extravagante diretor de “Como era verde meu vale 2”?

    Mal ae pelo spoiler galera.

  2. Sensacional! Tô mimijando de rir na frente do PC enquanto eu pseudo-trabalho. (Ah, vai… Hoje é sexta. 5% de produtividade.) Lookinf forward for the next chapters!

  3. Pingback: Na Natureza Selvagem – Parte III | Saiam do meu gramado

  4. Pingback: Na Natureza Selvagem – Parte IV | Saiam do meu gramado

  5. Pingback: Na Natureza Selvagem – Parte V | Saiam do meu gramado

  6. 1. Quando eu li um pedaço dessa aventura no blog da Gabi eu fiquei justamente imaginando: quando será que o Eric vai me dar a rabugenta e maravilhosa versão dele pra essa incursão na natureza?

    2. Depois de todas essas horas de estrada, sua hemorróida deve ter amado pular mais um pouquinho no jipe do tio Márcio, né não?


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