Na Natureza Selvagem – Parte I

Começo de ano é sempre aquela beleza: dias de ócio sem fim, onde as pessoas tem milhares de idéias sem futuro, como montar um blog mesmo tendo desaprendido a escrever mais do que 140 caracteres de uma vez. Quando elas não tem essas idéias, elas contam como passaram o fim de ano, as viagens, as pessoas, as paisagens e tudo mais. Vamos fingir por um momento que a história que vou contar nos próximos posts aconteceu nesse fim de ano e não durante uma folga na semana de Carnaval em 2008, ok? O texto já estava quase todo escrito – 4 dias sem videogames e memes idiotas criados pelo Júlio no Twitter fazem um bem danado pra criatividade – e seria um desperdício não postá-lo.

Na verdade não seria, mas quem manda aqui sou eu.
ABS, EF.

Existe alguma explicação cósmica envolvendo viagens marcadas, a necessidade de sair mais cedo do trabalho e a incompetência do ser humano. A vontade de ir embora aliada a esse soma de variáveis só poderia resultar em uma coisa: merda.

Ignorando completamente esse prognóstico, parti voando para casa, onde a Gabi já me esperava com as malas prontas – e como eu viria a descobrir mais tarde, com somente uma calça dentro delas – e então partiríamos rumo ao nosso desafio mais árduo: 190km de congestionamento. Ok, talvez esse não fosse esse nosso principal objetivo, mas não foi menos árduo por conta disso.

O desafio principal era sobreviver a uma experiência into the wild. Não como Chris McCandless, o personagem principal de Na Natureza Selvagem. O homem vem se superando a cada geração, descobrindo maravilhas como o fogo, a roda, a eletricidade, os aplicativos com sons de peido pra iPhone, o Pornotube, o miojo, entre diversas outras coisas. Entre esses outros estão as câmeras digitais e a internet, que fazem com que você conheça milhares de lugares sem estar lá – logo, não era com muito entusiasmo que eu estava trocando essas maravilhosas engenhocas por uma comunhão total e irrestrita com a natureza. Por isso, vamos por partes.

Andando por essas estradas você cogita achar o Maluf bacana

É público e notório que a pior parte de uma viagem é o trajeto até o seu destino final. Ficar seis horas seguidas sentado num carro não é algo que seu médico recomendaria como algo terapêutico, ainda mais se você saiu correndo e começou a passar fome no meio da estrada. A situação era tão crítica que eu já estava alucinando e vendo Anthony Bourdain fazendo uma matéria sobre restaurantes de beira de estrada para o seu programa dizendo algo como “um viajante faminto ofereceria favores sexuais em troca de um galeto”. Ainda bem que 500 metros adiante avistamos um restaurante e as pessoas que viajavam felizes no feriado foram poupadas da visão das minhas coxas brancas no acostamento da Rodovia Carvalho Pinto.

Devidamente alimentados, seguimos viagem naquele esquemão bonito de sempre: mato, lua, mato, estrelas, mendigos andando no acostamento e mais mato até chegarmos ao começo da serra, onde sabíamos exatamente o que estava nos esperando.

O que estaria esperando por eles no começo da serra?

– A serra?
– A polícia rodoviária?
– Um esquilo gigante?

Não percam os próximos capítulos


6 comments

  1. Você reclama de passar seis horas sentado num carro mas não pensa na pobre pessoa que passa seis horas num carro sentada contigo.

    Loop eterno.

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  4. Pingback: Na Natureza Selvagem – Parte V | Saiam do meu gramado


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