Na Natureza Selvagem – Parte III

Quer entender a bagaça toda? Então leia:
Na Natureza Selvagem – Parte I
Na Natureza Selvagem – Parte II

***

O grande erro de todo mundo que sai em viagem, é achar necessário aproveitar cada segundo como se fosse o último dia da humanidade na Terra. Basicamente foi isso o que aconteceu e mais pra frente vocês perceberão porque isso é uma besteira e vocês não devem fazer igual. Levantamos cedo e fomos tomar o café da manhã. Como eu sempre acordo tarde e/ou atrasado, não tenho o costume de tomar café, mas se eu tivesse um daqueles todos os dias, iria dormir todo o dia as 8 pra não correr o risco de perder a hora no dia seguinte. Frutas, pão de queijo, pão francês, pão de forma, pão de geléia, pão de manteiga, pão de bolo, pão de leite, pão de suco de laranja…. Tudo isso com direito a essa vista:

Pensei em ficar ali esperando pela próxima refeição, mas temi ser repreendido pela Gabi, pelo dono da pousada e pelos outros hóspedes que temeriam ficar sem comida nos próximos dias e se tivesse que descer aquela maldita estradinha, teria que ir rolando e isso não seria uma boa idéia dada a quantidade de pedras e buracos.

A comunhão com a natureza nos esperava, então vesti a roupa mais esportiva que eu tinha e estava pronto para um dia inteiro de cachoeiras, hippies e escaladas, esse monte de coisa besta que não existe na cidade grande. Era hora de deixar toda a preguiça e o sedentarismo pra trás e desafiar a natureza de uma maneira que eu nunca tinha feito. A disposição era tanta que decidimos descer aquele terrível arremedo de estrada que ligava a pousada a “civilização” a pé.

No caminho encontramos Vincent, o labrador que saiu da ilha de Lost pra perseguir a gente metade do caminho, uma pequena trilha incrustada naquele lugar ermo que certamente ligava o caminho até a terra dos duendes comedores de cérebros e um cara com medo de ir até um Pronto Socorro porque as pessoas iam lhe dar poções amaldiçoadas também conhecidas como antibióticos. Gabi ficou com vontade de voltar até ele e dizer que os antibióticos foram uma das maiores invenções recentes da humanidade, mas eu a arrastei pra longe daquele pobre diabo que ia morrer porque não queria tomar um xarope com gostinho de morango. Espero que esse cara nunca precise de uma Benzetacil.

Nossa meta era o Vale do Alcantilado, um conjunto de 9 cachoeiras que ficava um tanto longe de estávamos, o que permitiu que ainda andássemos pelas redondezas e encontrássemos lugares pitorescos como o POÇÃO DA MAROMBA (certamente um spinoff mal-sucedido das primeiras temporadas de Malhação) ou a lojinha local, PUT’S GRILO (que a julgar pelo seu mascote vendia folhas de seda, colírios, isqueiros, narguilés e toneladas de Ruffles), bem como seus habitantes igualmente únicos, como mulheres sem sutiã e crianças peladas correndo a esmo.

Decidimos ir logo pra onde a gente tinha que ir, já que a idéia de ficar perdido no meio do mato de madrugada e ter que sobreviver comendo vermes que habitavam pedaços podres de madeira não estava no meu top 5 maneiras de aproveitar um feriado.

Se bem que passar o fim de semana como um Cavaleiro do Zodíaco também não era o plano.

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